sábado, 22 de março de 2014

Leituras # 15

- Provavelmente era. O teu problema é que não compreendes o que significam essa palavras. As pessoas pensam que uma alma gémea é o par perfeito e é isso, que toda a gente quer. Mas uma verdadeira alma gémea é um espelho, uma pessoa que te mostra tudo aquilo que te retém, a pessoa que faz com que te centres em ti mesma para que possas mudar a tua vida. Uma verdadeira alma gémea é provavelmente a pessoa mais importante que alguma vez conhecerás porque deita abaixo as tuas defesas e desperta a tua consciência. Mas viver com uma alma gémea para sempre? Não. É demasiado doloroso. As almas gémeas entram na nossa vida para nos revelarem uma outra camada de nós mesmos e depois vão-se embora. E graças a Deus que é assim. O teu problema é que não consegues esquecer esta. Acabou. O objectivo do David era dar-te um abanão, levar-te a abandonar um casamento a que tinhas de pôr fim, destrocar um pouco o teu ego, mostrar-te os teus obstáculos e vícios, abrir-te o coração para que pudesse entrar uma nova luz, deixar-te tão desesperada e descontrolada que tinhas de transformar a tua vida (...). Era esta a sua missão e saiu-se lindamente, mas agora acabou. O problema é que não consegues aceitar que essa relação tenha tido uma vida tão curta. És como um cão no meio do lixo, querida – estás a lamber uma lata vazia, a tentar tirar mais comida lá de dentro. E se não tiveres cuidado, podes ficar com ela entalada no focinho e dares cabo da tua vida. Por isso, larga-a.

(...)

- Mas sinto a falta dele.

- Então sente. Transmite-lhe o teu amor e luz cada vez que pensares nele e depois esquece-o. (...) Tens de aprender a largar as coisas. Caso contrario vais ficar doente. Não voltarás a ter uma boa noite de sono. Vais andar às voltas para sempre, culpando-te por seres um fiasco. O que há de errado comigo? Como é que posso ter estragado todos os relacionamentos que tive? Porque sou uma falhada? Deixa-me adivinhar, provavelmente foi nisto que pensaste durante toda a noite.

- Está bem, Richard, já chega – digo eu. ”

(“Comer, Orar, Amar”, de Elizabeth Gilbert)

Ass: Gattaca

2 comentários:

um coelho disse...

Não li o livro, nem vi o filme. Se o fizer, vou querer ir a Bali, e tenho outros sítios para ir primeiro.

Junta-te ao clube disse...

Fiz as duas coisas. Nada de especial, ambas.
Mas gosto MUITO deste diálogo do livro, que nem aparece no filme.

Ass: Gattaca