
Eu sabia que o dia havia de chegar. E sentia que estava perto. Mas nunca se está preparado.
A Petzi foi-se. Apagou-se hoje.
É especialmente difícil porque até domingo ela estava bem. Muito bem. Fomos ao nosso passeio do meio da tarde, calmamente, para aproveitar o sol.
E só aconteceu depois, à noite. Tudo de repente. Sem se saber porquê.
Desde que chegou a minha casa, a Petzi foi sempre a minha grande amiga... nas alegrias e tristezas. Estava sempre lá... com os olhos abertos ou fechados, mas estava.
Nas noites de estudo da faculdade, nos regressos das noitadas, do trabalho, nos fins-de-semana na praia ou no campo, na casa nova, nas festas.
O pequeno almoço era comigo, o almoço, o jantar... e o ressonar à noite.
Foi a primeira a chegar à lista de cães da família. E aqueles que tinham medo de cães, aprenderam a lidar com eles com a Petzi.
Adorava frango. Impossível comer frango sem que roubasse um osso.
Ladrava cada vez que o telefone tocava ou ouvia os vizinhos na escada.
Adorava praia. Ainda há poucas semanas tínhamos passeado junto ao mar.
Uma corrida atrás de um gato era o seu desporto favorito... e lá ia eu de atrelado.
Roubava os plásticos da reciclagem e atirava tudo ao ar pela casa fora.
Levava sempre o correio na boca até a casa para trocar por uma guloseima.
A hora do café era hora da guloseima... uma, duas, três...
As histórias com a Petzi são quase sem fim, porque há 12 anos que estava aqui, chegada a casa com uma caixa de pastéis de nata de Belém.
Costumo aceitar o fim com muita frontalidade. Sem rodeios. Mas este adeus está a ser doloroso.
Bjs,
Ziggy.
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