quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Leituras # 7

“Ao dia seguinte fui procurado pelo barbeiro, que no dia anterior fora introduzido á minha intimidade. Disse-me elle que vinha ali, em commissão da irmandade, pedir-me uns versos.
- Uns versos, mestre” – atalhei, corrida da popularidade das minhas musas.
- Uns versos, sim senhor.
- Pois vocemecê sabe que eu faço versos?!
- Pois não sei!... o senhor é muito conhecido cá na Amarante, e já ouvi dizer que seu nome já chegou a Lisboa.
- Que me diz, mestre? Eu conhecido na Amarante! Estou pasmado de mim, e de vocemecê, que me não disse isso logo hontem!... Em que posso eu pois, ser útil á imandade, cujo legado é vocemecê?
- Queríamos uns versinhos para as cavalhadas do coração de Maria.-
- Pois o coração de Maria é festijado com cavalhadas em Amarante!? Conte-me isso, mestre. Como é que a irmandade mette cavallos e poetas na sua devoção?
- Eu lhe digo. Nas cavalhadas vae e genta a cavallo.
- Compreendo. Assim como a flor vae a fructo, nas cavalhadas vão vocemecês a cavallo.
- É verdade.

(in “Memorias do Cárcere – Vol. I” de Camillo Castello Branco, 4ºedição, 1902)

Um destes dias estive em cada da minha mãe a arrumar umas coisas. E na biblioteca descobri esta pérola e outras semelhantes. É a colecção completa das Obras do Camillo com data de 1902.

Adoro o cheiro a livros velhos

Ass: Gattaca

Sem comentários: