terça-feira, 4 de abril de 2006

Brockeback Mountain

Pois tinha de ser… Tanto disse mal do filme que me lixei.

Pois nos últimos meses da minha vida conheci e envolvi-me com um Ennis Del Mar. Ingénuo como sou, pensei que isto pudia ter algum futuro. Pois não teve. O meu Del Mar afirma que não dá para mudar. Que ele precisa disto e de aquilo e que não quer que eu deixe de fazer as minhas coisas por causa dele. Que não tem fórmulas e que por isso eu é que tenho de decidir.
Só que foi ele que colocou as cartas na mesa, portanto ou alinho com elas ou paciência. Porque no fundo o que ele disse foi que tudo está em aberto, tudo é possível, todas as cores têm lugar na nossa relação e que somos todos adultos. Só que no fundo no fundo ele sabe que apenas as cores cinzentas são as válidas e aceites por ele. Ele sabe disso, só não o quer assumir. É melhor viver na ilusão de que tudo é possível, sabendo à partida que não. Será assim tão difícil enfrentar os nossos medos e receios de frente?

Agora faço eu uma pergunta: Se apenas tenho um dia de folga como é que consigo dar atenção a todas as pessoas importantes na minha sem colocar alguém de lado? Se apenas tenho um dia por semana para jantar com amigos que faço? Tenho de ter duas vidas? (uma quando estou com o namorado e outra quando queria estar com os meus amigos. Sabendo à partida que o contacto entre as duas ia ser rara). Não estou a ser egoísta nem intransigente. É que não estou mesmo e nem admito que ninguém o diga.

E terminou assim: “quando decidires liga-me”. PUM!!!!!

Eu queria construir algo a dois. Só isso.

As vezes odeio mesmo o que sou.
Porque não consigo ser nada? Porque só me interesso pelo oposto do que sou e normalmente pelas as pessoas que ainda não saíram do armário, para quem é difícil amar, assumir um namoro e pensar num futuro a dois.
Por não sou eu um enconado com a minha homossexualidade?
E já que tenho este assunto tão bem arrumado na minha cabeça porque não sei ser promíscuo e apenas querer foder com tudo e com todos?
Porque insisto em fazer provar às outras pessoas que tudo isto é natural e as coisas não têm de ser vividas na clandestinidade?
Porque insisto eu em querer apenas uma vida e não ter 2 ou 3?

E quando é que aprendo a estar calado?
E quando é que aprendo a ser independente?
E quando aprendo a ter os pés na terra?
E quando aprendo a não construir castelos no ar?
E quando aprendo a não ter expectativas?
E quando aprendo que…

E pronto…
E nada…
E tudo…
Enfim…

Ass: Gattaca

Sem comentários: