segunda-feira, 11 de abril de 2005

estado de choque

desculpem só agora voltar a comunicar... mas eu estive em estado de choque, provocado pelo almoço da nostalgia, aquele em que ia reencontrar as colegas de há 15 anos atrás. Eu acho que fiquei mesmo em estado de choque, porque a páginas tantas já nem falar eu conseguia - caso raro na minha pessoa como devem saber.
Na agenda do almoço estavam em revisão a família, os casamentos, os filhos, as profissões e depois, claro, as memórias.
De todos os dedos anelares, com excepção de talvez três ou quatro entre uns 25, realçavam-se alianças douradas e anéis de brilhantes. Alguns mais imponentes do que outros. Os olhos passaram sempre pelos dedos.
A primeira parte do encontro foi claramente dominado pelas mudanças na vida. Casamentos, filhos, a família, o sítio onde moram. Há casadas de fresco, há noivas, há casadas de 10 anos... será possível?!
Eu reduzi-me à minha insignificância e ouvi apenas. Não ia dar-me ao trabalho de estar a contar a minha vida. Eu vivo na minha bolhinha... e elas vivem na dela.
Perguntaram-me o que fazia.
"Jornalista", disse eu! Para meu espanto causou uma enorme sensação!
"Deves viajar imenso", disseram.
"Bastante", disse eu.
"É um trabalho engraçado, que gosto muito de fazer. já fiz de tudo. há 10 anos que trabalho nisto", respondi-lhes.
"Há 10???????", perguntaram-me.
"Claro... há 10. Já que não me dediquei à minha vida pessoal, dediquei-me ao trabalho", respondi.
"E não te sentes sozinha?"
"não".
Sei que se exagerou muito em tudo o que se disse. Elas mudaram todas: as mais tímidas viraram mais participativas... e o contrário. Escusei-me a falar-lhes nas minhas experiências falhadas. E mesmo que lhes mostrasse qualquer um dos meus mais jeitosos amigos, todos lindos de morrer, não lhes diria absolutamente nada. Elas querem ver é um anel a brilhar no dedo.
Juro que me senti uma ave rara.
Não quero a vida delas, nem sequer pensei alguma vez sobre isso. Mas fiquei muito deprimida. Não sei se por mim... ou se por elas.
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Fiquei enjoada.
Comi todo o semi-frio de bolacha que tinha em casa, que deixei preparado para os meus pais comerem e ninguém lhe tocou.
Sentei-me a ver televisão... e a pensar na vida. Não troquei palavras com ninguém. Queria primeiro saber o que a minha cabeça pensava sem qualquer influência exterior.
Eu gosto de mim assim. E não me arrependo do que fiz na vida. Continuo a não ter explicação para a miserável vida amorosa que eu tenho, mas como vos disse, quem sabe um dia, me aparece o meu Mr. Big.

Beijos
Ziggy

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