terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

Conversas absurdas...

Já devia ter aberto este tópico há muito tempo. Afinal todas as conversas que eu ouço, no dia-a-dia laboral, são totalmente absurdas. Passo a partir de agora a adocicar os vossos dias com excertos de algumas coisas que ouço aqui. Não se preocupem que não vos deixarei de informar das conversas da directora, que são normalmente tão interessantes (NOT)!!!!!

O rapaz da amendoeira
Há já algum tempo que gostava de ter falado do rapaz da amendoeira. Chama-se Pedro. Trabalha a poucos metros de mim. Deve ser um dos mais engraçados da redacção, pelo menos deste lado da barricada.
Passa o dia a conversar com as colegas do lado, a conversar no MSN e pelo meio faz algumas notícias - sempre em Notepad e nunca no Word ou no sistema próprio da redacção (atitude em que tem todo o meu apoio porque tudo nestes computadores encrava) -, e a ir tomar café. É rápido a escrever. É o compincha de todas as estagiárias! Veste Timberland, Dockers, Massimo Dutti, calça sapatinho de vela. Anda sempre composto. Penteia o cabelo.
Cada segunda-feira, se a memória não me falha, fala de uma das coisas novas que comprou para a sua casa. A amendoeira foi o que me ficou na memória. Falou da sua amendoeira e de onde a tinha colocado, recebendo de imediato recomendações de todas as mulheres que trabalham à volta dele.
Eu simplesmente pensei “que raio de homem, de barba rija, vem para o trabalho falar de amendoeiras?”

O homem do corredor
Meses depois estava um outro dos poucos homens desta casa, mais velho que o rapaz da amendoeira e muito mais feio e veste sempre uma camisola de gola alta por baixo de uma camisa com a fralda de fora, por trás do meu ecrã a fumar um cigarro no corredor da redacção. Caso ele não tenha percebido este corredor liga duas partes da redacção, fazendo com que o fumo circule dentro dela e não fora… por isso é como se fumasse cá dentro. Adora particularmente vir deitar a cinza no meu caixote. Tenho sempre a olhar de esguelha por cima do ombro.
Bem, continuando (e por acaso aí vai ele a passar), encostado a uma das paredes desse corredor contemplava a redacção. E de repente começou a falar comigo sem se aperceber que eu tenho os headphones nos ouvidos. Começou a esbracejar e retirei um dos phones. Estava a contar o número de homens que trabalham no nosso lado da redacção.
Conta 1…2…3.
Passou o rapaz da amendoeira.
“Mas este não conta?”, perguntei eu.
“Este ainda não sabemos muito bem o que é que ele é!”, respondeu ele, desenrolando a conversa em seguida para os contornos do novo mundo do jornalismo, dominado pelas mulheres.
Foi uma pena que o rapaz da amendoeira não tivesse ouvido o comentário. Podia ter alguma reacção que permitisse descobrir a sua orientação sexual. Eu acho que ele é gay.


Beijos
Ziggy

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