terça-feira, 6 de julho de 2004

A última imagem de ti

Na última imagem que guardo de ti na minha memória estavas à porta do carro, de cócoras, a olhar para mim. Eu chorava. Tu estavas com uma cara, talvez, preocupada.
- E as nossas férias? – Pergunto eu.
- O que é que tu achas? – Respondeste tu.

O que é que eu acho? Esta frase continua a ecoar nos meus pensamentos. Uma e outra vez em cada momento que me ausento da realidade. Cada vez que a cabeça liga o motor do pensamento. Até aqui vive no raciocínio do dia-a-dia… o ram ram de um dia normal.

O que é que eu acho? Verdadeiramente? Acho que estavas a ver se te safavas. Tenho a certeza de que não se prolongam situações incomodativas. Mas com certeza também acho que não se provocam situações dolorosas de um minuto para outro.

- Não me faças isto. Não agora - implorei!
Eu implorei! Quase me esqueci que tinha pedido para não me deixares.

Qualquer mecanismo na tua cabeça, que é meio avariada, estava a ponderar esta ruptura. Pensaste dias a fio como irias dizer "não gosto de ti".
Primeiro afastaste-te e depois colocaste um ponto final numa história, que na minha cabeça era quase um sonho cor-de-rosa em forma de bolinha de sabão, mas que na tua era um fardo demasiado pesado para arcar.

O derradeiro momento foi aquele. Não havia outra hipótese. Não havia outra sina que não esta de cada um ir para seu lado.
Saí do carro, atravessei a rua e vi-te a telefonar a alguém. Quem seria? Provavelmente o jantar.
- É melhor avisar a família que vou jantar – pensaste tu.

A última imagem que guardo de ti, uma pergunta, o que é que achas?
Ziggy

PS: Gattaca, entendo-te perfeitamente!!!!! Ansiedade é comigo! Por falar nisso, tou cá c'uns nervos! AI MEUS DEUSES (GREGOS, claro)!

Sem comentários: